|
Os aposentados da Vale, beneficiários de um fundo de pensão com superávit no valor de R$ 1,6 bilhão, conseguiram autorização, através da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), para que a Valia, administradora do fundo, reduza o prazo para o pagamento. No entanto, a Valia afirma que a decisão só será tomada após reunião prevista para o dia 17 de setembro, o que contraria os aposentados.
Inicialmente, o benefício a que os aposentados têm direito seria pago em 17 anos, mas, diante das manifestações dos beneficiários, o prazo vai ser revisto. De acordo com o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Vale (Apecovale), Antônio Vitor Ramalho, o patrimônio herdado pelos aposentados tem de ser distribuído em tempo reduzido, já que a média de idade dos beneficiários é de 65 anos e a cada ano morrem centenas deles.
Ele mostrou os demonstrativos que a Valia precisa enviar anualmente à Previc e que comprovam que em março de 2009 eram 17.243 os beneficiários do fundo de pensão. Já no mesmo mês de 2010 o número caiu para 17.107, uma diferença de 136 aposentados que faleceram à espera do benefício. No documento, também consta a assinatura de diretores da Vale, demonstrando que a empresa tem representação dentro da Valia, mesmo que ela seja uma entidade que trata dos aposentados e pensionistas da companhia, administrando um fundo que não pertence a eles e sim aos aposentados da empresa antes da privatização.
Os aposentados acham que deveria ser realizada uma reunião extraordinária para que se discuta o pagamento da trimestralidade retroativa e a manutenção dos 25% do superávit, que é a porcentagem do valor total que a Valia queria que fosse paga aos aposentados.
Para cobrar uma posição favorável da Valia, os beneficiários pretendem organizar uma caravana de 25 ônibus, 15 saindo de Vitória e outros 10 sde Itabira, Minas Gerais, para ir ao Rio de Janeiro no dia da reunião e ali dar um abraço simbólico ao prédio da Vale.
Antônio Vitor conta ainda que 9.100 dos aposentados recebem menos de R$ 1 mil mensalmente de benefício, realidade que poderia mudar com o pagamento do superávit.
Os aposentados também questionam o fato de a Aposvale ser a única entidade reconhecida pela Vale como representante dos participantes assistidos e a inconformidade da maioria dos aposentados com a recente mudança nos critérios de distribuição do superávit, mantendo o percentual de 25% do valor total do benefício.
Dos aposentados antes da privatização da companhia, 150 têm mais de 90 anos, 1,5 mil têm mais de 80 e mais de 5 mil têm mais de 70 anos. Cerca de 300 aposentados morrem todos os anos e o benefício não é deixado para os herdeiros. A Valia não concorda em passar o superávit para os herdeiros, como querem os aposentados.
|